Manifesto em apoio às camponesas que lutam contra liberação de eucalipto transgênico

No último dia 05 de março, mulheres da Via Campesina fizeram duas ações coordenadas,​ ​uma em Itapetininga (SP), onde depredaram instalações da empresa FuturaGene nas quais eram​ ​realizadas pesquisas com modalidade transgênica de eucalipto, outra em Brasília, onde foi​ ​interrompida reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), destinada a​ ​analisar a liberação do plantio de eucalipto transgênico no Brasil. As ações foram​ ​condenadas​ ​pela grande imprensa e por
entidades da sociedade civil e tachadas de obscurantistas, por​ ​impedir o progresso da ciência.
Nós da AGB consideramos que as manifestações em questão dizem respeito a uma luta​ ​que vem sendo travada no Brasil há décadas e que dizem respeito ao papel da ciência e​ ​tecnologia para o desenvolvimento do país.

O desenvolvimento de modalidades transgênicas de soja, milho, feijão, cana e agora​ ​eucalipto vem sendo imposto pelo grande capital transnacional ao país sem que avaliações mais​ ​profundas dos impactos econômicos, sociais e ambientais sejam realizados e a CTNBio tem sido​ ​meramente o espaço de legitimação institucional deste processo, uma vez que é um colegiado​ ​composto basicamente por cientistas vinculados aos interesses dessas empresas.

O que está em questão não é a contraposição entre progresso científico e obscurantismo,​ ​mas o controle econômico sobre a produção do conhecimento científico que faz com que as​ modalidades transgênicas sejam liberadas sem estudos científicos amplos e generalizados, por​ ​interesse das empresas que possuem a propriedade intelectual sobre essa tecnologia.

A AGB vem através de suas Seções Locais e Grupos de Trabalho denunciando a violência​ ​que se abate hoje sobre camponeses, quilombolas e indígenas expulsos de suas terras pela​ ​expansão de monoculturas transgênicas, assim como as mazelas causadas pela utilização cada​ ​vez mais intensiva de agrotóxicos associados a essas monoculturas, o que faz do Brasil,​ ​atualmente o maior consumidor mundial de agrotóxicos.

Sendo assim, a AGB não​​ poderia deixar de manifestar sua solidariedade com os
movimentos que lutam contra a subordinação da sociedade brasileira aos​ ​interesses das grandes​ ​corporações transnacionais. Defendemos que a ciência e a tecnologia devem estar a serviço da melhoria das condições​ ​de vida dos povos e em harmonia com a natureza  e não subordinada aos interesses do capital.

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)

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