Moção de Apoio à Professora Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira

Nós, da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Local Cuiabá, em reunião realizada na dia 23 de dezembro de 2013, vimos nesta moção, declarar apoio e solidariedade à geógrafa Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira, diretora da Universidade Estadual de Mato Grosso (UNEMAT) – Campus de Juara (MT), que já participou ativamente das atividades da AGB-Cuiabá, inclusive sendo sua diretora no ano 2000, momento em que entidade, na cidade de Cuiabá, passava por um importante momento de reestruturação.

Como agebeana sempre se comprometeu pelas questões que envolvem as minorias sociais, e diante disso, viemos manifestar nossa indignação em virtude das ameaças às quais está sendo submetida.

Consideramos inadmissível que num momento de constante desenvolvimento tecnológico e científico, a geógrafa seja impedida de manifestar seu posicionamento político e ideológico no que tange as desigualdades sociais.

Desta forma, solicitamos que as autoridades competentes de Mato Grosso se comprometam em proteger a vida da geógrafa e garantir a sua liberdade de expressão, assim como a investigação dos fatos denunciados. Encerramos este documento ratificando nosso apoio à luta da professora e manifestamos nossa solidariedade.

Cuiabá, 23 de dezembro 2013.

Assinam os associados da AGB-Cuiabá.

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Leia abaixo nota para a imprensa escrita pela  Professora Lisanil.

Fonte: CUT-MT.

Juara, 02/12/2013/Relatos de uma AMEAÇA ou de uma morte anunciada.

Desde domingo a noite (24/11) comecei a receber ligações do número 66-9663-5912, não dizia nada, apenas um barulho estranho. Passei a não mais atender (eram de 20 a 30 ligações). Assim também foi nos dias seguintes.

Na terça a tarde, comecei a receber mensagens. No campus estava acontecendo o VIII Seminário de Educação do Vale do Arinos. Em discurso na noite do dia 26/11 eu disse, que o que faço no Campus de Juara é trabalhar por causas dos desfavorecidos, negros, índios e com escolas públicas e por isso não me intimido.

A mensagem que chegou na terça a meia noite era, então “vc não se intimida, espere para ver o que vai acontecer contigo quando eu colocar as mãos em você”, algumas mensagens diziam: “fogo é perigoso, não é?” e, em seguida, passou a dizer as características de onde eu moro.

Essas mensagens estavam vindo no número institucional, que estranhamente após diálogo com pessoas próximas de mim, tomamos a decisão de fazer o Boletim de Ocorrência, o celular SUMIU, no entanto, as mensagens passaram a vir na linha 65.

No dia 27/11, fomos jantar com o palestrante daquela noite e, naquele momento recebi a mensagem “o teu passado vai lhe acompanhar sempre e eu também, bom apetite”.

Fui até a delegacia fazer o BO, na tarde do dia 28/11 (dia do II Kalunga), juntamente com a profa. Lori Hack, pedi para falar com o delegado, que não foi nada tranqüilizador. Ele me disse que se alguém quer me matar não há nada que se possa fazer para impedir, eu que me defenda, nem que seja com caminhão tanque.

No dia 29/11 (dia do II Campus na Praça), chegou a mensagem dizendo:

“A sua morte é uma questão de tempo, pouco tempo”.

Liguei no Ministério Público e pedi para o promotor criminal me atender, que estava em audiência e pediu para a assessora me retornar para eu ir fazer o relato, que ele, assim que pudesse, iria me atender ainda no mesmo dia.

Assim eu fiz e o Promotor Criminal me atendeu e disse que iria pedir nessa mesma data a abertura de inquérito, mas, que a quebra dos telefones dependeriam do Juiz.

As mensagens passaram a chegar do número: 66- 9975-3071

Agora dizendo que sabe onde mora o meu filho e que iria visitá-lo.

A outra dizia: nem tente me denunciar que vou acabar com você.

No sábado (30/11) de manhã a mensagem dizia: “coragem de atender o telefone você não tem, mas fazer BO você sabe, pensa que isso me põe medo?”

O telefone era o 66- 9663-5912, logo em seguida chamou e eu com muito ânimo disse: “fala seu COVARDE” e ele desligou o telefone.

Nessa mesma noite a prof. Lori Hack, que divide a casa comigo há cinco anos, passou a receber mensagens, pedindo que ela saísse de perto de mim, que não era nada com ela, dando a entender que quando fosse me atacar, quem estivesse por perto seria prejudicado, uma das mensagens dizia “as ruas são escuras” ou seja, podia não identificar, pode ser eu ou ela.

Mas, escrevo para lhes dizer, que não há dúvidas que é alguém de dentro da UNEMAT, e está claro, ligado às denúncias infundadas que fui vítima nos últimos meses e, que agora eu estou processando, um a um, por denúncia caluniosa com a intenção de me prejudicar, injúria e má fé. Lamentavelmente, a direção central da UNEMAT tem responsabilidades, pois contribuiu para que as coisas chegassem a esse ponto. Ela me colocou numa situação de total vulnerabilidade. Outro motivo estaria ligado à Banca do Concurso Público da UNEMAT, da qual fui tirada, sem ao menos ser avisada. Os mesmos que denunciaram a minha participação pensam que pedi para serem REPROVADOS (Não tenho esse poder). Também pode estar ligado à atribuição de aulas para interinos, pois as pessoas que me apoiam tem um BAREMA maior. Uma das professoras que participaram da contagem de pontos disse que eu só coloco alguns nos meus projetos.

Tenho o direito de escrever projetos para os editais que eu bem entender, colocando as pessoas em quem eu acredito.

Minhas lutas na UNEMAT nunca foram particulares, escolhi um lado, não posso ser penalizada por isso. Fui eleita para exercer o cargo de Diretora Política/Pedagógica e Financeiro do Campus de Juara, mas eu nunca representei os interesses do grupo dominante, por isso fui impedida de tomar posse, e apenas, após quase oito meses de uma batalha jurídica, dois juízes de Juara e de Cáceres determinaram a minha posse imediata. Desde então, o que faço é trabalhar, trabalhar, conseguimos aproximar o Campus de Escolas públicas do campo, da cidade e de três escolas indígenas da Terra Indígena Apiaká/Kaiabi, projetos de extensão, pesquisa, com o financiamento de projetos como Novos Talentos e PIBID da CAPES.

Há sete anos estou neste Campus, trabalhando muito, como meu currículo pode demonstrar. No decorrer desse tempo foram muitos projetos e muitos bolsistas, no decorrer desse tempo, sofri várias tipos de agressões, verbal, física, inclusive, ameaça que circula por redes sociais, de jogar gasolina em mim. Mas, acho que agora chegamos a uma situação que não posso me calar. Espero que a minha morte não se concretize, espero continuar lutando por uma educação pública de qualidade.

Profa. Dra. Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira
Diretora da Unidade Regionalizada – UNEMAT/Campus de Juara
Portaria n. 1169/2011

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