TRANSPORTE PÚBLICO ALÉM DO DEBATE TÉCNICO: É PRECISO PENSAR NA CIDADE.

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Por Heitor Salvador – AGB Recife

Um metropolitano subterrâneo (metrô), com suas devidas conexões, é, sem dúvida, imbatível em termos de pontualidade, velocidade, qualidade, capacidade e preservação de espaços na superfície, uma vez que não segrega a cidade com muros e linhas e pode ser alcançado por uma simples entrada na calçada.

Contudo, dizem que a construção de um metrô subterrâneo em Recife seria caro por conta das características do solo. Mas caro quanto? Não fico convencido enquanto não quantificarem em Reais (R$) para que possamos fazer a relação custo x benefício. Todavia, não devemos nos deter apenas ao debate técnico. É essencial compreendermos o processo de produção da cidade e o desenvolvimento das forças produtivas que estão provocando fortes mudanças espaciais em Recife, tornando a terra urbana uma mercadoria. Estão produzindo uma cidade cada vez mais desigual e que não atende as necessidades de uma parcela cada vez maior da população. Sabemos bem quem são essas forças.

Por isso, é necessário que o debate da política de transporte esteja associado a política urbana. Precisamos criar uma câmara de compensação metropolitana onde os maiores demandadores, que causam maior impacto na metrópole, como os polos industriais (SUAPE), construção civil (MOURA DUBEUX, QUEIROZ GALVÃO…), comércio e serviços (SHOPINGNS, CENTROS COMERCIAIS e EMPRESARIAIS), devam compensar financeiramente essa demanda gerada ao sistema de transporte, ajudando na sua implantação e ampliação com qualidade. Não apenas pagar vale transporte ao trabalhador, recolher impostos e achar que está resolvido. É preciso considerar como as pessoas vão se deslocar e como a cidade vai funcionar com essas demandas geradas. As últimas manifestações provaram que é possível debater a politica subsídios para reduzir os custos das tarifas e abriu um debate importante na sociedade de qual transporte queremos.

A urbanização e a industrialização são fenômenos mundiais. Historicamente, o avanço dos transportes ferroviários aconteceram nestes períodos. Os maiores sistemas de metrôs do mundo começaram a ser construídos na segunda revolução industrial ou em períodos de industrialização e urbanização. Exemplos: Londres, Paris, Budapeste, Berlim, Madrid, Moscou e Nova Iorque. Onde estão localizados hoje? Não apenas em centros urbanos industrializados, mais também em centros urbanos mais dinâmicos (serviços e comércio) ou que adotaram uma política de mobilidade. Podemos citar como exemplo Barcelona, Caracas, Bucareste, Pequim, Marselha, Tóquio, Sevilha, Praga, Buenos Aires, Santiago do Chile, Cidade do México… No Brasil, ainda que muito pequeno, São Paulo e Rio.

Se Pernambuco vive um momento econômico tão favorável como se alardeia, devemos pensar qual será o transporte de uma metrópole bastante dinâmica, que tem 4 milhões de habitantes e uma grande área de influência. Os estudos de redes urbanas e áreas de influência do IBGE e IPEA apontam a Metrópole Recife como um centro hierárquico importante para o Nordeste do Brasil. Portanto, temos que pensar a cidade além dos limites territoriais do município do Recife (218km²), que são meramente administrativos e não corresponde com a vida das pessoas na cidade.

E mais, é preciso REFORMA URBANA. Não acredito no discurso que Recife não tem mais espaço para construir. É um discurso que tem sido empregado e difundido principalmente pela construção civil e mercado imobiliário com um objetivo muito claro. O município do Recife tem espaço, mas precisamos acabar com os terrenos ociosos para especulação imobiliária, propriedades que não cumprem a função social da cidade e implantarmos efetivamente a outorga onerosa e o IPTU progressivo. Inclusive muitos técnicos em transportes afirmam que é necessário áreas adensadas para que possamos construir um metrô subterrâneo, pois bem, só é possível reduzir o espraiamento das cidades e adensar áreas urbanas fazendo reforma urbana.

Enquanto a conta do metrô não é feita, devemos avançar com outros modais. Numa cidade tão heterogênea como Recife, é fundamental utilizarmos tecnologia e modais diversos para garantir a mobilidade. Calçadas adaptadas a circulação de todos, sinalização para pedestres, trans (VLT’s), bondes, funiculares, ciclovias, bicicletários, micro-ônibus, faixas exclusivas para ônibus, semáforos prioritários para o transporte público e pedestres, bilhete único, piso rebaixado e extinção das catracas nos ônibus são bons exemplos para começarmos. Ou seja, devemos pensar o transporte público como um direito ao acesso a cidade.

Metropolitano de Barcelona
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